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Para construir e manter a fertilidade no Cerrado

Bem manejado, pode-se obter alta produtividade com equilíbrio ambiental.

O cerrado é responsável por mais da metade da produção de grãos do país, o que demonstra a importância da região na atividade agropecuária brasileira. Para manter a competitividade da atividade agrícola da região, torna-se necessário aumentar a produtividade e diminuir os custos de produção, o que pode ser alcançado por meio do manejo eficiente da fertilização do solo e adubação das culturas.

É sabido que em sua condição natural, os solos do Cerrado são pobres em nutrientes e apresentam acidez elevada. Por isso, como explica a pesquisadora da Embrapa Arroz e Feijão, Maria da Conceição Santana Carvalho, a primeira coisa fizemos é corrigir o solo, principalmente a acidez. Depois disso, o passo seguinte é colocar nutrientes. “Esse é o manejo correto quando se abre uma área de Cerrado. Com o passar dos anos, com adubação, chega-se a um nível de fertilidade muito bom, ótimo mesmo”, explica.

Esse esforço inicial, no entanto, não é suficiente. É preciso observar constantemente o solo para que as antigas condições não voltam. “E essa reposição depende também de cada cultura”, aponta a pesquisadora.

É preciso analisar quais são as maiores exigências nutricionais de casa cultivo. A manutenção da fertilidade depende, também, da rotação. “Se forem três culturas por ano, por exemplo, é preciso repor mais”, completa.

Maria explica que, regra geral, deve-se repor no solo pelo menos a quantidade de nutrientes usada pela culturas, mas ela destaca que é sempre bom acrescentar um pouco a mais. “Existem áreas nas quais o nível de fertilidade é tão alto que, caso fique um ano sem reposição, os índices não cairão tanto. Mas se o produtor continuar plantando e colhendo apenas explorando nutrientes sem repor, solo pode voltar a ficar pobre”, aponta.

EQUILÍBRIO AMBIENTAL
Segundo o professor Rafael Otto, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), o Cerrado, desde que bem manejado do ponto de vista químico, físico e biológico, permite alcançar altas produtividades com qualidade e equilíbrio ambiental, como já vem sendo explorado. Mas para manter os patamares de produtividade é necessário um manejo do solo utilizando práticas conservacionistas.

“São exemplos o plantio direto associado à rotação de culturas e praticas corretivas, como calagem, gessagem e fosfatagem, aliadas às praticas de manutenção, como adubação adequada de nitrogênio, fosforo, potássio e micronutrientes”, acrescenta.

Segundo Rafael, as principais características que fazem o Cerrado ter condições pouco propícias ao desenvolvimento da agricultura são solos ácidos, com baixo suprimento de cálcio em subsuperfície, restringindo o desenvolvimento radicular, o que diminui a absorção de agua e nutrientes.

Rafael explica que o manejo não adequado do solo afeta a produção de qualquer sistema, não só do Cerrado. “Por tratar-se de uma região com níveis críticos de nutrientes, altos teores de alumínio e acidez significativa, a importância da construção da fertilidade do meio torna-se mais responsiva em comparação às outras regiões”, diz.

O professor salienta que não basta somente o manejo químico do solo. Fisicamente, ele também deve ser trabalhado visando elevar a sua capacidade de retenção de água, um vez que o homem não controla as condições climáticas, como secas e veranicos. “Nesse contexto, o Sistema de Plantio Direto (SPD) apresenta alternativas para minimizar estes problemas relativos às condições climáticas”, comenta.

De acordo com Rafael existem culturas que exigem mais do solo Cerrado e que o produtor deve ter maior atenção. São elas, principalmente, o algodão e o milho.

 

Fonte Revista SGPA, postado pelo site Boi a Pasto em 1º/10/2013

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